Os mais belos jardins de São Paulo

Quatro paisagistas top elegem suas áreas verdes preferidas na capital
Publicado em 18/10/2013 às 14:03
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Os mais belos jardins de São Paulo

Quatro paisagistas top elegem suas áreas verdes preferidas na capital

Por Renata de Farias

 

Superlativa em todos os sentidos, São Paulo nem sempre carrega boa fama. Dizem por aí que é uma cidade cinzenta, árida e fria. Pode até ser, mas entre as toneladas de ferro e concreto de suas construções também existe vida − os mais de 100 parques, jardins e áreas verdes públicos, e isso sem contar os particulares, estão aí para provar. De norte a sul da capital visitantes e moradores se deparam com verdadeiros oásis, locais onde é possível passear, encontrar os amigos, praticar atividades físicas ou apenas relaxar em meio à natureza.

Nesta edição da Revista INN São Paulo resolvemos eleger os mais belos jardins paulistanos, mas como essa seria uma missão quase impossível, convidamos quatro top paisagistas que têm escritórios na capital para nos ajudar: Alex Hanazaki, Benedito Abbud, Eduardo Fernandez Mera e Luis Carlos Orsini.

Em suas listas, o Parque Burle Marx foi unanimidade. “Embora seja um parque, ele nasceu de um jardim, e é um local que tem uma história. Na década de 1940, o empresário Baby Pignatari quis dar um presente especial para sua noiva, e contratou Roberto Burle Marx para fazer o paisagismo da casa onde iriam morar”, conta Benedito Abbud. “Eu acho que é este um lugar lindo para se esquecer da vida”, completa Alex Hanazaki.

Outros clássicos paulistanos também foram escolhidos por dois ou mais dos nossos jurados. Um deles é o Parque do Ibirapuera: “É um local bastante aprazível e bem cuidado, onde os frequentadores aproveitam ao máximo as mais diversas atividades ao ar livre”, segundo Luiz Carlos Orsini. Outro, o jardim francês do Museu Paulista: “Esse jardim possui uma formatação clássica francesa com espécies topiárias, espelho d’ água e paginação de piso em mosaico português. Ponto para a história brasileira”, na opinião de Eduardo Fernandez Mera. O terceiro é o Jardim Botânico de São Paulo: “Com suas estufas e o belo orquidário, o Jardim Botânico é um local interessante e um passeio delicioso para se fazer com a família nos finais de semana”, destaca Abbud. O quarto, o Parque da Água Branca:  “Ótimo para caminhar”, segundo Hanazaki.

A seguir você conhecerá um pouco mais sobre esses parques e jardins cheios de lembranças e vida. Também aproveitamos a oportunidade para falar de outros dois locais belíssimos citados pelos paisagistas, mas não muito conhecidos dos paulistanos: a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano e o Solo Sagrado. Boa leitura! Bom relaxamento!

Listas

Alex Hanazaki

- Parque do Ibirapuera

- Praça Victor Civita

- Parque Burle Marx

- Parque do Carmo

- Parque da Água Branca

 

Benedito Abbud

-Jardim da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

- Parque Burle Marx

- Jardins do Museu Paulista (mais conhecido como Museu do Ipiranga)

- Jardim do Parque da Luz

- Jardim Botânico de São Paulo

 

Eduardo Fernandez Mera

-Jardim do Solo Sagrado de Guarapiranga

-Parque da Juventude

-Parque Burle Marx

-Jardim da Casa das Rosas

-Jardins do Museu Paulista (mais conhecido como Museu do Ipiranga)

 

Luiz Carlos Orsini

- Parque Burle Marx

- Jardim Botânico de São Paulo

- Parque do Ibirapuera

- Parque Villa-Lobos

- Parque da Água Branca

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

O sentimento de preservação ambiental já estava presente nos projetos concebidos e desenvolvidos pelo engenheiro Oscar Americano. Foi então que, no final da década de 1940, ele e sua mulher Maria Luisa Ferraz Americano idealizaram e projetaram a futura residência da família, em que a principal preocupação era a integração arquitetônica e paisagística.

A casa de 1,5 mil metros quadrados de área construída foi projetada pelo arquiteto Oswaldo Bratke e o parque pelo engenheiro agrônomo e paisagista Otavio Augusto Teixeira Mendes. No contrato firmado com Mendes, ficou estabelecido que ele seria pago por árvore de qualidade plantada e vingada.

“Por causa disso, ele montou um viveiro nos fundos do terreno, importou mudas de diversos estados brasileiros e, com a ajuda de sua equipe, concluiu o trabalho após um ano”, relata Claudia Calandra Barroquello de Lima, diretora da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, localizada no bairro do Morumbi, na Zona Sul da capital.

Em 1974, dois anos após o falecimento de Maria Luisa, seu marido instituiu a fundação, doando à cidade de São Paulo a casa em que viveu com a família durante 20 anos, a coleção de obras de arte e o belo parque. A partir de 1980, os acervos arquitetônico, paisagístico e artístico tornaram-se acessíveis ao público.

Totalizando 75 mil metros quadrados, o parque é uma das mais importantes reservas ecológicas da cidade, um local onde é possível passear, ler, meditar ou brincar com as crianças em meio a natureza. Lá se encontram cerca de 25 mil árvores. Dentre elas: angico, pau-ferro, sibipirunas, pau-brasil e jacarandá. Além da ampla área verde, a fundação possui o Salão de Chá (espaço para a degustação da bebida servida à inglesa) e salas para a realização de concertos musicais e cursos.

Avenida Morumbi, 4.077, Morumbi. Aberto de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30. Entrada: R$ 10,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada; gratuito para crianças até 6 anos e professores mediante apresentação de carteirinha da escola) e entrada gratuita para todos no primeiro sábado do mês. Informações: (11) 3742-0077 ou www.fundacaooscaramericano.org.br

 

Jardim Botânico de São Paulo

No final do século XIX, a área do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga − onde fica o Jardim Botânico de São Paulo −, na Zona Sul de São Paulo, era uma vasta região com mata nativa ocupada por sitiantes. Por ordem do governo de Júlio Prestes, as desapropriações na área vinham ocorrendo desde 1893, visando a recuperação da floresta, a utilização dos recursos hídricos e a preservação das nascentes do Riacho do Ipiranga.

Em 1917 o local tornou-se propriedade do governo e passou a se chamar Parque do Estado. Até 1928 serviu para captação de águas que abasteciam o bairro do Ipiranga. Neste mesmo ano, o naturalista e orquidófilo Frederico Carlos Hoehne foi convidado para implantar um jardim botânico na região.

“Foram então importadas da Inglaterra duas estufas metálicas, e assim surgiu o Jardim Botânico de São Paulo. Dez anos depois criou-se o Departamento de Botânica, na época órgão da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio de São Paulo, e, em 1969, o Parque do Estado, onde ambos estão localizados, passou a denominar-se Parque Estadual das Fontes do Ipiranga”, conta Nelson Antonio Leite Maciel, especialista ambiental do Núcleo de Pesquisa em Educação para Conservação do Jardim Botânico de São Paulo.

Ocupando 36 hectares e inserido em uma unidade de conservação, o local tem como compromisso primordial a pesquisa científica, a educação e o lazer. Lá, o visitante pode passear, fazer piqueniques e conhecer melhor a flora nacional. Mas não é permitido entrar com animais, jogar bola, andar de bicicleta, patinete ou skate e nem empinar pipa.

São muitas as atrações do Jardim Botânico de São Paulo: Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues, Jardim de Lineu, Estufas e Orquidário Dr. Frederico Carlos Hoehne, Palmeto Histórico, Bosque das Imbuias, Jardim dos Sentidos, Lago dos Bugios, Bosque dos Passuarés, Conjunto Escultural à Paz e à Liberdade, Brejo Natural, Lago e Trilha da Nascente do Riacho do Ipiranga, Alameda Fernando Costa, Lago das Ninféias, Córrego Pirarungauá, Bosque das Guaricanas, Túnel de Bambu, Mirante, Bosque do Pau-Brasil, Trilha de Terra Batida, Alameda Von Martius e Arboreto.

Em seus bosques, alamedas e recantos o visitante encontra uma grande diversidade de espécies de árvores nativas e de outros países do mundo, como paineira branca, ingá, quebra-foice, cipreste italiano, sequóia, figueira lacerdinha, tamboril, suinã, imbuia e sapucaia. Mas também há outras espécies: orquídeas (são mais de 20 mil), bromélias, plantas epífitas (que vivem sobre outras plantas), xaxim, gramíneas, ninfeias, plantas aquáticas, carnívoras, manjericão e capim cidreira, entre muitas outras.

Avenida Miguel Stéfano, 3.031, Água Funda. Aberto de terça-feira a domingo e feriados, das 9h às 17h. Entrada: R$ 5,00 (estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada). Informações: (11) 5067-6000 ou www.ibot.sp.gov.br

 

Museu Paulista

Às margens do riacho do Ipiranga, onde D. Pedro I proclamou a independência do Brasil, fica um dos jardins mais bonitos de São Paulo: o do Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. Inspirado nos jardins do Palácio de Versalhes, na França, ele foi idealizado pelo paisagista belga Arsenius Puttemans, e sua construção aconteceu entre 1907 e 1909.

O Museu Paulista, que fica no Parque da Independência, na Zona Sul da capital paulista, foi inaugurado em 7 de setembro de 1895 como museu de História Natural, e a primeira coleção que abrigou foi a do Coronel Joaquim Sertório. No período do Centenário da Independência, em 1922, foi reforçado o caráter histórico da instituição. A partir daí formaram-se novos acervos, com destaque para a história da cidade.

Atualmente, estão em exposição no local mais de 125 mil unidades, entre objetos, iconografia e documentação textual, do século XVII até meados do XX. O jardim em estilo francês é um convite ao relaxamento e à contemplação. Tem vegetação composta por áreas ajardinadas e bosques heterogêneos e, entre as espécies, destaque para as topiárias de azaleia, buxinho e falsa-figueira-benjamim, sem contar os canteiros de rosas e arranjos de palmeiras e pinheiros.

No bosque ao fundo do Museu encontram-se espécies como araribá-rosa, canela, canela-branca, cedro, embiruçu, falsa-seringueira, figueira-mata-pau, imbiruçu, jatobá, marinheiro, pau-ferro, pinheiro-do-paraná e sapucaia. Nas laterais do parque os bosques heterogêneos têm araribá-rosa, eucalipto, jacarandá-mimoso, jaqueira, paineira, palmeiras e sibipiruna. Foram registradas 186 espécies, das quais oito estão ameaçadas, como a cabreúva, a grumixama e o palmito jussara.

No jardim francês é proibido andar de skate, bicicleta ou patins, atividades que são permitidas no restante do Parque da Independência. É importante salientar que o museu está fechado para reformas − a data de reabertura não foi informada −, mas as áreas verdes continuam abertas para visitação.

Parque da Independência, s/nº, Ipiranga. Aberto de terça-feira a domingo, das 9h às 17h. Entrada gratuita (apenas a visita aos jardins; o ingresso para o museu custa R$ 6,00). Informações: (11) 2065-8000 ou www.mp.usp.br

 

Parque Burle Marx

Na década de 1940, o empresário Baby Pignatari contratou o renomado paisagista Roberto Burle Marx para idealizar e realizar os jardins de sua residência projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Lá, ele iria viver com a futura esposa, a princesa austríaca Ira Von Fürstenberg, mas o casal nunca chegou a desfrutar das belezas do local, pois se separou antes do casamento. Apesar de a história de amor não ter tido um final feliz, Pignatari acabou deixando um verdadeiro presente para São Paulo: o Parque Burle Marx, na Zona Sul.

Inaugurado em 1995, ele destaca-se pelo conjunto das esculturas do painel de alto e baixo-relevo, espelhos d’água, pergolado, jardim xadrez e uma composição de 15 palmeiras imperiais. Sua vegetação é composta predominantemente por variedades remanescentes da Mata Atlântica (andá-açu, gameleira-brava, marinheiro, pau-brasil, copaíba, tapia, ipês amarelos e roxos, castanheira, paineira e sibipiruna são algumas).

Nas áreas gramadas e nos jardins paisagísticos o visitante ainda pode encontrar costelas-de-adão, lírios, helicônias e clorofitos, bem como diversas orquídeas. “Uma curiosidade sobre o parque é que todo o adubo utilizado é proveniente de nossa estação de compostagem, área onde realizamos a decomposição do material vegetal produzido para transformá-lo em adubo orgânico”, conta Thiago Santos, gestor ambiental do local.

Mas nem só de flora vive o Parque Burle Marx, que tem 138 mil metros quadrados e é administrado pela Fundação Aron Birman. Lá também se encontram 92 espécies de fauna, sendo 82 de aves. Entre elas estão as aquáticas (socozinho, savacu, martim-pescador-grande, garça-branca-grande, irerê e biguatinga, por exemplo) e as aves de área aberta, como quero-quero, anu-branco e anu-preto. A vegetação também serve de abrigo para saguis, gambá-de-orelha-preta, preá, ratão-do-banhado, “camaleãozinho” (lagarto diurno que vive tanto sobre arbustos quanto no chão da mata), sapo-cururuzinho e rãzinha-piadeira.

Segundo Santos, além de apreciar a natureza e relaxar, os visitantes podem praticar exercícios físicos − há trilhas para caminhada e corrida −, brincar com os filhos no playground, visitar a antiga Casa de Taipa e Pilão, datada do século XIX , e passear pelo  Bosque das Jabuticabeiras, que tem árvores com mais de 100 anos de idade. No parque não é permitida a entrada de animais e nem andar de bicicleta e skate e jogar bola.

Avenida Dona Helena Pereira de Moraes, 200, Panamby. Aberto todos os dias, das 7h às 19h. Entrada gratuita. Informações: (11) 3746-7631 ou www.parqueburlemarx.com.br

 

Parque Dr. Fernando Costa (Parque da Água Branca)

O Parque Dr. Fernando Costa (ou Parque da Água Branca, como é mais conhecido), na Zona Oeste, foi criado em 2 de junho de 1929 pelo então secretário de Agricultura, Fernando Costa. Mas seu processo de formação começou bem antes: em meados de 1904, o então prefeito de São Paulo, Antônio da Silva Prado, idealizou a Escola Prática de Pomologia e Horticultura para que as pessoas pudessem se dedicar à atividade agrícola de forma profissional − a escola funcionou até 1911.

“Este é um parque diferente de todos os outros que têm na cidade. Ele tem uma vocação mais rural. Por exemplo, aqui o visitante encontrará galinhas, patos, gansos, pavões e micos, todos soltos, e ainda pode ter aulas (pagas) de equitação”, comenta Maria Lúcia Vieira Lisbois, diretora do local.

Em 1996, o espaço foi tombado como bem cultural, histórico, arquitetônico, turístico, tecnológico e paisagístico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e, em 2004, foi tombado também pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

Seus prédios em estilo normando foram projetados por Mário Whately, e os vitrais do portal de entrada, em estilo art déco e datados de 1935, desenhados pelo artista Antonio Gomide. A área atual é de quase 137 mil metros quadrados, sendo 79 mil de área verde.

Como explica Maria Lúcia, não se trata de uma reserva de mata nativa, mas um parque totalmente implantado, desde a construção até a vegetação. Por lá encontram-se aproximadamente três mil árvores adultas (araucária, pitangueira, palmeira imperial e jabuticabeira são algumas). Há ainda diversas espécies utilizadas para fins paisagísticos e de alimentação para animais.

No parque o visitante pode praticar atividades físicas; participar de cursos e oficinas gratuitos ou simplesmente curtir a paisagem e o caráter rural que inspira a área. Lá não é permitido andar de skate, bicicleta e patins e nem passear com animais. Outras atrações são a feira de produtos orgânicos (acontece às terças, sábados e domingos, das 7h às 12h), o Museu Geológico, a Casa do Caboclo, o Espaço Leitura, a Arena, o Pergolado, o Bambuzal e a Trilha do Pau-Brasil.

Avenida Francisco Matarazzo, 455, Barra Funda. Aberto todos os dias, das 6h às 22h. Entrada gratuita. Informações: (11) 3865-4130 ou www.ambiente.sp.gov.br/parqueaguabranca

 

Parque do Ibirapuera

Andar de bicicleta, skate e patins, praticar exercícios físicos, jogar vôlei, basquete e futebol, passear com os cachorros ou simplesmente relaxar em meio à natureza. Essas são algumas das atividades que o visitante pode fazer no mais famoso dos parques de São Paulo, o Ibirapuera, na Zona Sul.

Construído como parte da comemoração do 4º Centenário da cidade, ele foi inaugurado em 21 de agosto de 1954. Mas antes disso, em 1928, foi instalado na área um viveiro de plantas, da Divisão de Parques e Jardins da Prefeitura, para impedir que os terrenos fossem invadidos, ao mesmo tempo em que se plantavam eucaliptos para reduzir a umidade do solo e dificultar a presença de posseiros.

O projeto arquitetônico do Ibira, como é carinhosamente chamado pelos paulistanos, ficou a cargo de Oscar Niemeyer, Eduardo Knesse de Mello, Ícaro Castro Mello, Ulhôa Cavalcanti e Zenon Lotufo. Já o paisagismo foi obra de Otávio Augusto Mendes, mas Roberto Burle Marx também contribuiu − em 1992 ele foi convidado para fazer algumas melhorias.

Hoje ocupando uma área de 1,6 milhão de metros quadrados, o Parque do Ibirapuera possui riquíssima flora. Lá são cultivadas mais de 200 espécies de árvores nativas da Mata Atlântica, além de plantas exóticas, gramados, forrações, arbustos e palmeiras. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo diz que a manutenção é feita por uma equipe composta por 10 jardineiros e que, conforme a disponibilidade do Viveiro Manequinho Lopes, aquele mesmo instalado em 1928, são realizadas a reposição de mudas em algumas épocas do ano.

Além de pistas de corrida e caminhada, ciclovias e quadras poliesportivas, o parque abriga museus, planetário, auditório, espaços para a realização de eventos, como a São Paulo Fashion Week e a Bienal de Arquitetura, e uma escola de jardinagem. O Pavilhão Japonês, uma das mais belas atrações do Ibirapuera, está fechado para reformas e não há previsão de quando será reaberto para visitação.

Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Ibirapuera. Aberto todos os dias, das 5h às 24h. Entrada gratuita. Informações: (11) 5574-5505 ou www.prefeitura.sp.gov.br

 

Solo Sagrado

Em 1945, seguindo o exemplo da natureza, onde tudo se desenvolve a partir de uma pequena forma ou de um pequeno modelo, Mokiti Okada, fundador da Igreja Messiânica Mundial, iniciou no Japão a construção de protótipos do Paraíso Terrestre, os quais chamou de Solos Sagrados, locais que se caracterizam pela harmonia entre a beleza natural e a criada pelo homem.

O objetivo era deixar para a humanidade a base para a construção de um mundo ideal, concretizado na verdade, no bem e no belo. Ele começou o projeto em cidades japonesas, com o intuito de que outros modelos pudessem ser construídos ao redor do mundo. O de São Paulo, localizado na Zona Sul, foi construído às margas da Represa de Guarapiranga e é considerado um dos maiores espaços para a contemplação da natureza e meditação existentes no país − ocupa uma área de 327 mil metros quadrados. Sua construção teve início em 1991, após um elaborado projeto, em que cada detalhe foi estudado para proporcionar um local onde as pessoas possam entrar em sintonia com a natureza e elevar a espiritualidade.

Na entrada já é possível avistar um belo gramado em vários tons de verde. Em seguida, o visitante depara com alamedas floridas e pedras de diversos tipos colocadas em diferentes posições. José Carlos dos Santos, engenheiro florestal e ministro da Igreja Messiânica Mundial do Brasil, diz que o projeto paisagístico inicial foi desenvolvido por Andrés Tomita, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A segunda fase é assinada pelo professor japonês Tsutomu Kassai. “A construção desenvolveu-se com a participação de uma equipe japonesa e uma brasileira”, afirma.

Tanto o projeto paisagístico quanto o arquitetônico foram elaborados de forma a provocar o menor impacto ambiental possível, buscando unir a beleza natural do lugar com a arte dos jardins criada pelo homem, bem como preservar a floresta nativa de 95.880 metros quadrados que já existia no local.

No Caminho das Represas ainda foram replantadas, em uma área de 47.160 metros quadrados, inúmeras espécies de árvores nativas da Mata Atlântica, como abiurana, açoita-cavalo, alecrim-do-campo, castanheira-do-pará, dedaleira, guaco, guapuruvu, jatobá, jequitibá, manacá-da-serra, paineira, palmeira, pau-ferro, peroba e quaresmeira, entre outras.

A escadaria que conduz ao templo (ou nave) possui sete patamares ladeados por floreiras nas cores do arco-íris. Para mantê-las sempre coloridas e vivas, Santos conta que são usadas flores anuais. “São espécies de pequeno porte com duração no canteiro de dois a três meses. A produção é feita em viveiro próprio com média de 80 mil mudas por mês. Usamos sementes importadas e o cultivo é orgânico, ou seja, sem uso de agrotóxicos e adubos químicos”, complementa.

O Solo Sagrado, considerado um verdadeiro paraíso ecumênico e que recebe cerca de 30 mil pessoas todos os meses, também conta com um Centro Cultural com espaço para exposições, setor de audiovisual e duas salas para cursos e palestras. Lá não é permitida a entrada de carros, motos, animais e bicicletas.

Avenida Professor Hermann Von Ihering, 6.567, Jardim Casa Grande, Parelheiros. Aberto de quarta-feira a domingo, incluindo feriados, das 8h às 16h; fechado às segundas e terças-feiras (mesmo nos feriados) e no primeiro domingo de cada mês. Entrada gratuita. Informações: (11) 5970-1000 ou www.solosagrado.org.br

 

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Árvores salvam vidas

Um recente estudo do Serviço Florestal dos Estados Unidos, realizado em 10 cidades daquele país, constatou que as árvores, em ambiente urbano, exercem um importante papel na redução de matéria fina particulada (poluentes com menos de 2.5 micrômetros) presentes no ar.

Ótima notícia, principalmente quando levamos em conta que tais partículas provocam efeitos sobre a saúde, como inflamações pulmonares, alteração de funções cardíacas, aceleração da arteriosclerose e até mesmo mortes prematuras.

Com base no estudo americano, os pesquisadores verificaram que as árvores podem salvar, em média, uma vida por ano em cada cidade pesquisada, e oito apenas em Nova York. Segundo o paisagista Benedito Abbud, a arborização das cidades é realmente fundamental para garantir a qualidade de vida das pessoas. Confira, a seguir, algumas dicas do profissional:

- Nas cidades, é importante determinar o local correto do plantio, que deve ser realizado preferencialmente na faixa de serviço (espaço da calçada de, no mínimo, 0,70 metro)

- As árvores de pequeno porte têm de ser plantadas a, no mínimo, três metros de distância de um poste

- Para existir vegetação adequada nas cidades é necessário que os espaços para plantios sejam previstos, reservados e garantidos, desde as calçadas residenciais, com larguras para que não haja conflito entre o fluxo de pedestre e as árvores, até os grandes parques urbanos

- Na escolha das espécies é importante consultar o Departamento de Meio Ambiente das prefeituras ou um profissional especializado

- Também é fundamental considerar as questões estéticas relacionadas ao porte, à forma da copa, à queda de folhas, à floração e até as raízes, que podem levantar e destruir pisos, muros e construções

- A priori, algumas espécies de árvores indicadas para plantio sob a fiação são pata-de-vaca, urucum, aroeira mansa, sena aleluia, quaresmeira, manacá e angelim

- Em passeios mais estreitos são indicadas espécies arbustivas especialmente preparadas por viveiros, que as podam no formato de pequenas árvores. Por exemplo: hibiscos, malvaviscus, murtas e rosedás

- Frutíferas são bem-vindas, mas devem ser tomados cuidados quanto ao tamanho da fruta. Mangueiras, jaqueiras e abacateiros produzem frutos enormes e que, ao caírem, podem danificar carros e machucar pedestres

- Não se deve pintar a parte inferior dos caules das árvores com cal. A substância “queima” a casca do tronco, enfraquecendo-o e tornando-o suscetível a pragas e doenças, além de deixar uma feia cicatriz

- Cimentar em volta do tronco e colocar placas também são outras atitudes que prejudicam as plantas, assim como canteiros estreitos com pisos muito compactados

- Vale destacar que o piso permeável (ou  drenante) nas calçadas é importante para o melhor desenvolvimento das árvores. Ele permite que as raízes se espalhem e recebam a água do solo mais facilmente